quinta-feira, 16 de maio de 2013

CENAS
















Palavras que ferem e apagam registros
Já não contabilizo os sinistros
Já não há sangue, só marcas
As horas passam pacatas

O Sol não cega mais o olhar
Óculos não são necessários
Palavras deixaram o vocabulário
Deixando espaço à inferior linguajar

Alguma máscara e o semblante de pesar
Pra que falar? Por que calar?
Algumas perguntas não precisam ser respondidas
Algumas cenas não deveriam pertencer à vida

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


As vezes, o tudo parece nada

A dor que entra pela madrugada

O Sol que parece não nascer

Cenário sórdido que insiste em crescer

Arde, fere, abate

As vezes prefiro que me mate

Mas, não, é pena constante e profunda

Sórdida sombra moribunda

Não venha mais me visitar

Não bata mais nessa porta

Assim não lançarei mais aquele olhar

Que me faz tão viva e, também, me faz morta.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Amor é mar
(Por Mariana Gallego)

Amor é longa espera.
Amor é primavera,
É nó na garganta e calafrio.
Amor é o toque e o arrepio.



Amor é fogo. E queima.
Amor é jogo. E teima.
Amor, na sua melhor forma, é construção.

Amor é quando a razão cede espaço à emoção.


Amor é o querer bem. É querer o outro são.
Amor é perdão.
Amor é querer ver o outro feliz.
É ter saudade. Amor é verdade.



Amor é sacrifício.
Tem o verbo "cuidar" como ofício.
Amor é arriscar tudo.
É ser cego, surdo e mudo.



Amor é mar. Amor é louco.
É ir de encontro à multidão.
Amor é não se contentar com pouco.
Amor é estender a mão.



Porque só quem ama, vê, ouve, sente...
E, como ninguém, vê o mundo mais bonito.
Quem ama, transforma o presente.
Quem ama é amor por todo o infinito.


 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

NOSSO VOO

Somos elos em movimento

Servos do senhor Tempo


Conectados, todavia, por inexplicável força chamada pensamento


Somos energia muito densa


Quiçá um dia rarefeita


Somos fonte de atração imensa


Em busca da forma perfeita.



Somos tantos e, no entanto, tão sós


Sabemos tão bem ser laço, como sabemos ser nó


Somos humanos de passos errantes


Insistindo dos mesmos erros de antes


Somos esperança de que sempre exista volta


E, quando não há, abrimos as portas para a revolta.



De tão sonhadores, queremos ser livres, ser pássaro


Ainda que não saibamos voar


Porém, nos sentimos incalculavelmente perdidos no espaço


Até que aprendamos a amar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

UNÍSSONO SILÊNCIO

Ilustração: Carlos Lascano



Poesia por Mariana Gallego

Cor púrpura dos lábios cerrados na quietude dessa esquina

Cenário que estagna

Olhar que vela o tempo

Uníssono silêncio

Sopro de vento faz brisa ao momento deste coração intrépido

Emersão do passado lépido

Hoje amanhecido ao relento

Cíclico compêndio

Luz penetrante nas frestas dessa alma menina

Lucidez que se aproxima

Sufoca a inação do suplício

Cala-te, vício.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

OÁSIS


Vai. Corta meu impulso

Desata meu pulso

E me deixa sair

Vem. Traz seu peito incerto

Que eu faço oásis do seu deserto

E não haverá mais razões para partir

terça-feira, 12 de abril de 2011

A DANÇA


Avança e me concede essa dança

Em giros tão fáceis de entorpecer

Em meu tropeçar, sua mão me levanta

E eu sigo seus passos pelo amanhecer